quinta-feira, 4 de abril de 2013

Extravios (quase) Imperceptíveis







Quarenta anos depois,
No mesmo bar
Que servia arroz com Tatuí...
O gerente morto,
O cozinheiro trocado,
E, nunca ninguém viu mais
O bufão dono do bar

Nós dois que entrelaçamos, eternamente, 
Dedos sobre a mesa desassossegada, 
Muito longe das presenças
Sem a menor exatidão de existências,
Súbito perdemos os rostos e,
Por coincidência, no último beijo

E agora, quem é você calmo e triste?
E hoje, quem sou eu sem claridade?

As perguntas se movem até a parede
Tocando o espelho sem respostas
Somos dois estranhos,
Dois guardanapos amassados no tempo,
Constrangidos por extravios
E a procura das faces que foram pro lixo

Que ele não reparou
Que eu nem percebi

5 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

Você não existe não, sabia? Uma viagem maravilhosa, um olhar para além, para além, para além de...

Beijos,

ediney santana disse...

Desejos que também quero no meus passar de anos:
"Nós dois, que entrelaçamos dedos
Sobre a mesa desassossegada, eternamente,
Muito longe das presenças
Sem a menor exatidão de existências,
Perdemos os rostos,
Por coincidência, no último beijo"

eurico portugal disse...

e o poema, indiferente ao tempo, a pontuar rostos...

beijinho, querida amiga!

Assis Freitas disse...

depois do tempo que houve
nos ouve a memória




beijo

Marco Rocca disse...

Exatamente uma P O R R A D A! ! ! Amiga, sou um poeta obcecado pelo tempo, muito mesmo. Acredito piamente que o maior adversário da existência, do desejo humano de sempre "realizar", seja sem dúvida alguma, "o tempo"... Tenho sinceramente que lhe A P L A U D I R!