terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A Dois Passos do Nada




Dei a ele outro nome, um bom nome ardiloso,
Desses que damos aos homens para salvá-los
Quando tentam ser infernais já no inferno.
Amor! Meu amor!

Seu rosto, após longa olhada, sacudiu o pó da memória
Sobreviveu
- quantos rostos levantaram da cama apagando a noite?
Mixas trepadas! Homéricas fodas!

Súbito a mulher avançou forte como um milagre
- sempre tive essa praga no sangue -
E aguou sua cabeça e têmpera. Ele não tentou escapar feito rato
Era um homem cheio de mentiras - eu sabia!
No entanto, nada podia contra minha esfinge

Eu, sem qualquer palavra, o havia batizado de homem,
Simplesmente um homem e nada mais,
E todos os outros nomes adormeceram como deveriam
Adormecer diante de uma montanha
Em silêncio

Descansei os lábios naquele ouvido primitivo
Uma vez, a serpente sibilando
Sempre e de novo, e de novo, e de novo, à língua.                                       
O veneno invadiu palavras dedos sangue,
Toda corja de coisas solitárias e famintas

Desatando os nós da censura, assim, como fazem os poetas,
Construí um tempo morto para vivermos do coração,
Sem ambulância ou materiais de primeiros socorros,
E nasceram feridas, constipações, insônias,
Pupilas dilatadas, suores, cheiros de pólvora e flores,
Outros dramas espartanos

Porém, por todas as noites cariocas, entre inferno e céu,
Ninguém jamais viu um registro de amor igual a este,
Deliberadamente, fatal e inesquecível



6 comentários:

Tania regina Contreiras disse...


Nossa, ainda não vi no face: que POEMA, heim? Eu me calo. Você é phoda.

Beijos,

Tania regina Contreiras disse...


PHODAAAAA! Te ler me emudece às vezes. Tá lá o poema e a moldura do silêncio: uma coisa!!!! Perfeita, minha poeta querida.

Beijos,

dade amorim disse...

A Tania tem razão - Vc é phoda!

Beijo grande

Américo do Sul disse...

A dois passos do nada
a carne em migalhas
se esvai na fumaça
sem propósito...

A propósito,Ira
suas palavras lavram a alma.

jorge pimenta disse...

apocalipse: "e tudo que estava vivo na carne (...) havia se despedaçado" - haverá melhor forma de dizer quem somos, ira?

beijo-te essas mãos de magia sempre renovada!

Assis Freitas disse...

uma fulguração para o caos


beijo