sábado, 23 de novembro de 2013

Tempo Líquido





Neste momento molhado,
O corpo por um triz, tua mão direita
Impõe-me dor sem volta,
Enquanto a outra, esquerda e amiga,
É tão criança que vem deitar-se
Em meu mamilo sem dormir
A plástica de estarmos um dentro do outro
É tão feliz quanto uma língua desenhando flores
Num corpo nu
- ah, e tua língua desenha girassóis!
Suores e sêmens ungem caminhos, montes
Curvas porque deus existe, também, nessas horas
Em que o diabo comenta efemeridades
A fotografia deste instante se apagará logo,
Porém, e é uma quase verdade,
Teu gosto permanecerá pendurado na parede
Para os meus longos dias de inverno
Clarividência
Corpo inútil

11 comentários:

Tania regina Contreiras disse...


Menina, você poetiza pra caramba. Seu estilo é tão único e tão marcante. Caminhos que se cruzam diferentes em um único ser. A arte de ser várias. E retumbante. Sou muito, muito fã da tua Poesia. Nossa, demais. E deus e o diabo que se amam tanto!!!
Beijos,

Joelma B. disse...

Tua língua desenha Irassóis....

Beijos, Ira brilhantíssima!

dade amorim disse...

Um poema delicioso, Ira!

Beijos

Assis Freitas disse...

um gosto que perdura



beijo

Cris de Souza disse...

Você é mestra dos espantos!
Um verso mais mágico que o outro...

Beijo, poeta irada*

Eleonora Marino Duarte disse...

erotismo para mulheres, tamanha a sensibilidade! a-d-o-r-e-i!
:)

um beijo.

Adri Aleixo disse...

Uau, Ira! Que tela linda você pintou.

Meu beijo! :)

Ana Cecilia Romeu disse...

Ira, minha linda aquariana!

Sexo e Poesia existe combinação mais bela e viva que essa?

Pois, que faça-se vida! :)

Levo daqui, em especial, esta parte:
"Teu gosto permanecerá pendurado na parede
Para os meus longos dias de inverno."
(é bem assim...)

Beijos para ti e um beijinho especial na Valentina!

jorge pimenta disse...

versos que cresce, entumecem e cavalgam antes de explodirem num ramalhete de sensações onde tudo é tão verdade e quase nada é a verdade.
maravilhosa radiografia dos corpos, ira!

beijinho!

Fred Caju disse...

Foda! E não teve como não pensar em Bauman.

Primeira Pessoa disse...

a imagem da lingua desenhando flores é um poema inteiro.

beleza.
e um calorzim besta no leitor.

beijos,

r.