quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Des-Espera Que Não Morre ou Mais Uma Idéia Fixa




Pedi um homem, apenas um
Que suportasse meu peso árduo e rubro,
E vieram tantos antes de ti
Que, perdido em susto de memória genética,
Jamais me surgiu nascido para nossa invenção
Morrer! Morrer! Morrer!
Substância essa de escarafunchar o amor
E seu tempo breve de eternidades
Aguardei notícias, por cinquenta décadas ligeiras,
Do teu hálito melodioso, de paisagens que não fossem contaminadas
Por punhos cerrados, porém,
Tua terra sempre amargou distância inteira,
Confusa do meu íntimo incerto,
E dizia: minha cidade teme a noite,
Todas as suas noites, mulher, vastas de oferendas,
E mais, suas luas vermelhas de mistérios raros
Não! Não espere nossa morte despertar
No frescor das ideias, pois não perdoo meus pensamentos
Masculinos de coisas vivas da carne
Não me peça nos seus dias nem na poesia
Que habita seus dedos,
É meu destino nunca chegar!
E ele se foi, como pedra desmoronada,
Por todos os instantes que minha cabeça
Formula outros nomes,
Sem jamais desaparecer dos meus olhos

5 comentários:

Américo do Sul disse...

passei para te ler.
Teu hálito tinha frescor
de des-atinos...
No íntimo confuso
formulei destinos.
Só não desapareço
ou deixo de vir aqui.
É mto bom te seguir...

Marco Rocca disse...

De um existencialismo profundo. Talvez uma perda irreparável, mas quem saberá...

Assis Freitas disse...

os que se foram
no que se foi



beijo

Ana Cecilia Romeu disse...

Ira, minha linda aquariana!

Lembrei-me de uma frase de um poeminha que fiz quando era guriazinha hehe tinha uns 20 anos, mas guardei:
"as nuvens que atordoam nossa cidade já passaram por mim".

Também gosto muito de ti, Ira, obrigada pelas palavras lá no faceb.

Beijão dos Pampas em ti!

jorge pimenta disse...

nenhum rosto se faz sem todos os outros, os que passaram, os que ficaram, os que passaram, ficaram e morreram, os que seguiram, os que nunca chegaram e os que foram apenas efabulação de "íntimo incerto". mas, quanto de nós morre com cada um deles?

beijinho, ira, poeta do ser, da pele e de tudo o que neles é insondável (ou apenas sondável).