quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Para Jack e Outros





Hey, Jack!
Os meninos foram pro espaço dirigindo a nave frenética
Levaram Seixas, o início, o fim e o meio
- Eles estão salvos?
Aqui, nada está tão permitido, o modelo do casulo não tem cômodos arejados
Eu desenho furinhos na parede tentando passar as palavras,
Mas isso não é a solução
Essa metamorfose demora o tempo de exterminar os humanos
Você sabe a dureza que é virar borboleta, um enchedor de saco
Tem que pagar!
E não é boquete, mas uma porra de dor de cabeça
Que nem o gerente dessa espelunca da jeito
- Cadê o dono que nunca aparece?
Eu vou morrendo por aqui, de incômoda náusea,
Nesse lugar que o aço inventou para encher nossos pulmões de cemitérios,
Mas tudo bem! Isso é quase uma boa piada
Diante da piada nonsense do Oriente Médio
Sabe Jack,
Eu vejo as criancinhas transformando-se em esterco,
Numa plantação de tubos de ensaio, tudo fabricado nos melhores laboratórios clandestinos
Outras, na escuridão dos miseráveis, encalhando nas águas sangrentas de um rio depravado
Que come suas inocências
Sigo virando gelatina derretida, insossa, nesse inferno circular de segregações,
Um pacifista sofrendo de compaixão do osso pra fora, de fora pro osso
É o amor que me desmantela e pesa, como um gigante gorila humano, nas costas,
Essa carga de solitários entra pelos poros e contamina as entranhas
Sou uma criancinha no vazio da existência aprendendo com os homens as bizarrices
E os arremedos dos moinhos
Todas as noites, minha mãe cai do teto, de uma casa inventada pelo catolicismo,
Meus olhos estão cheios de remelas e vultos, ela me abraça pensando que estou do outro lado, mas estamos no mesmo absurdo
Sai recolhendo o copo, cheio, completo de vazios que transbordam
Sobre a mesa de cabeceira. Há pouca coisa a falar e muitas a não entender
Ela lamenta e põem seus seios ofegantes na minha boca,
Eu sugo sua jóia, porque é preciso tentar infestar o mundo dessas delicadezas
Há uma besta fera a ser domada e eu sou um bebezinho que inventa truques






11 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

Ira, te leio pensando que é preciso ser inteira e aos pedaços, é preciso ter passado por todos os caminhos e sangrado. É preciso não ter medo, para ser poeta. E você é uma poeta da porra!

Beijos,

Marco Rocca disse...

Olha Ira, li e reli diversas vezes este texto seu. Surpreendeu-me por demais saber que além de ótima poetisa, também é uma excelente escritora. Este miniconto, está simplesmente maravilhoso... Bem escrito, com bons recursos polissêmicos, linguagem atraente, moderna. O 15º verso, simplesmente arrasou. Assim como o 27º/28º. Aplausos querida!

Janice Adja disse...

Gostei muito do texto.
Palmas!!!"
Beijos!!

Assis Freitas disse...

isso é porradão e caminhos: outros e vários (des) caminhos

beijo

dade amorim disse...

Quando vc escreve, abrange o mundo, a vida em geral e ainda consegue despertar na gente coisas que quase passavam despercebidas. Seu poema é um alerta.

Bj bj.

Carolina disse...

Guau. Valiente e clandestina. Estou impressionada com a verdade de sua historia despabilante, Ira. Algumas criancas navegan em um mundo cruel, sim estrelinhas ni delicadezas...
Abracos e otima final da semana.

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Minha querida

Infelizmente uma triste realidade que descreves no teu poema que é um grito de alerta...como sempre profundo.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Fred Caju disse...

Na medida certa!

eurico portugal disse...

pensar estar do mesmo lado mas estar, afinal, no mesmo absurdo - que forma inteira de chegar ao que a vida procura esconder de nós. só tu e a tua mágica l-ira!

beijo!

Malu disse...

Amiga, deixando de seguir o FACES do POETA para acompanhar seus posts por aqui. Que este espaço seja tão belo quanto o outro.
Um grande abraço!!!

Nilson Barcelli disse...

Uma escrita que surpreende em cada linha.
Profunda, para ler e reler.
Os meus aplausos pelo furinhos na parede. As tuas palavras passaram mesmo...
Ira, querida amiga, tem um bom resto de domingo e uma boa semana.
Beijo.