Por enquanto
O poema é só um feto de dor
Espinhazinha amarelada na face
Finjo escrever fotografia
De um rosto anônimo liso limpo
Finjo para evitar que vejam minha
Monstruosidade
Tento repassar esta afronta purulenta
Em outra cara menos desgraçada
Escamoteio a minha – de lama!
Como quem dichava pânicos
E saio gato escondido com rabo de fora
Tarde demais para encolher tuas mãos! Diz-me a poesia
O verso insiste em pronunciar
Antigo rosto familiar
Que me chama clama quase implora
Há um poema em contração, neste instante,
E a dor é infernal
Cabeça coroada. Expulsão!
Nasce a criatura à imagem e semelhança
De toda minha sordidez
O poema é sujo e berra meu nojo