Como se tragando os gestos
Ensaiamos falar
Como se fingindo honestos
Inventamos amar
Eu que nunca presto
Ele que sabe negar
Tratamos de cobrir os nossos tetos,
Vidros indiscretos, sobras infames
Dos vexames que não dormem
Em paz
Como se amando em fugas
Fraquejamos voltar
Como se traçando rugas
Suportamos ficar
Eu que sempre outra
Ele que nunca será
Deixamos de supor as nossas caras,
Faces tabajaras, restos inexatos
Dos retratos arruinados
Por serem reais
Como se jurássemos poemas
Construímos versos para o amor
Viver seus dilemas cordiais