sexta-feira, 6 de junho de 2014

Do Lado De Lá – Estilhaços Para Rosto Afugentado

Nenhuma mulher oprimida
Tem rosto
– quem sobe os degraus morre nos sonhos
Nenhum rosto envergonhado
Tem voz
 – quem mutila a palavra crê na mentira
Nenhuma voz abafada
Tem vértebras
- quem abusa dos ossos rói o ódio
Nenhum espôndilo humilhado
Tem articulação
- quem aniquila o afago bebe mágoa
Nenhuma articulação infeliz
Tem coração
- quem despreza o músculo come cobras e lagartos
Nenhum coração encolhido
Tem sexo
- quem viola o ventre respira o nojo
Nenhuma buceta sem música
Tem vida
- quem exige o gozo recolhe a farsa
Aqui está à mulher discreta, a tua obra,
Quando não chama, entre os estilhaços da truculenta janela,
O canto do outro lado do mundo




5 comentários:

Tania regina Contreiras disse...


Imprescindível seu olhar, poeta querida. A contundência da sua poesia sempre me pega de jeito. Maravilhosa!
Beijos,

Marcia M. disse...

Quão belos sãos os teus versos minha linda , deixo um beijo !!

Marcelo R. Rezende disse...

Puta poesia, Ira.
Calou-me.

Beijo.

Domingos Barroso disse...

versos geniais
de sopros febris
...


beijo carinhoso,
querida Ira...

jorge pimenta disse...

quem? não.
pergunto... ninguém sabe.

porque as palavras se fazem para estremecer em imagens impossíveis que habitamos a cada desprender de língua, a cada arremesso salivar.

beijos, querida amiga!