quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Antropofágica

Posso te amar se você me der um par de olhos frescos, como os que não perdem luz com o tempo, e um bouquet de poemas pra cada dia da semana. E se tiver espinhos? Que tem! Eles não arranham mais que as ausências dos versos. Prefiro-os!
Tenho apenas desejos, por hora, alguma curiosidade e também essa ânsia crua de quem vai comer sushi pela primeira vez. Sentimentos antropofágicos de saber cheiro, gosto e sorver aos poucos pele e carne.
O inevitável ritual de aproximação!
Ando pensando nessa fome de coisas cruas. Começa tímida rondando os poros até que exibam aromas descarados.
Súbito sua boca molhada de palavras e língua, estranha estrangeira, me incomoda. Olho mais uma vez, ela fala, depois olho centenas de vezes, e ela fala mais, e fala bonito, não o de completude, mas um bonito de existir e ser qualquer coisa de contente ou triste. Uma boniteza de amor e desamor que sai das mãos e soca minha cara, depois alisa.
Submeto-me! Estou abatida e tudo que necessito “viciantemente” é devorar o banquete.
Tenho mania de inacessibilidades, talvez, porque lá tudo é pra sempre como as estrelas do meu teto. Gosto!
Gosto desse jogo de eternidades e desenho com olhos as existências de tudo que desejo
Posso fazer com que suas mãos sejam e nunca afastadas das minhas ancas, os braços de abraços e tantas possibilidades, dias de poesias na varanda, noites de roupas mudas nos cantos do quarto.
Posso fazer você existir, fora da fotografia, engraçado e exato não por querer e sim despretensiosamente. Assim, meu riso seria solto e voaria até a sua boca, e ficaria, e ficaria.
O plano é saciar a fome, agora, às 24h: 16m que meu coração não dorme e nem se quer pensa no impacto que seria se eu dissesse tudo isso a você, logo você, que é tão cheio de finezas.
Meu coração é despudorado e não sossega, acho mesmo que não presta.
Então, que se dane sua cerimônia porque eu não me chamo Sônia!
Nhac!





6 comentários:

Primeira Pessoa disse...

fome de quem tem fome.
fome de quem gosta deste jogo de efemeridades.
fome por saciar. com gonzaguinha de fundo, ficou ainda melhor.

e ainda tem tem aquela foto de Belle de Jour lá em riba.

gostei foi muito.

beijão,

r.

Adri Aleixo disse...

Ira, minha linda Ira...
Como as palavras lhe correm fáceis, essa é a impressão que tenho todas as vezes que te leio. De que você não as escolheu, mas que elas se amontoam em ti, fazendo morada nessa tua alma linda!

Amei a postagem, sou grande fã do Gonzaguinha. Beijocas!

Tania regina Contreiras disse...


Ira d versos e prosas...Impossível de passar incólume pelas tuas palavras. Impossível não eleger um lugar especial dentro da gente para te ter...

Beijos, poeta!

jorge pimenta disse...

amor num par de olhos frescos (haverá imagem mais arrebatadora?); tudo o mais é fome e saciação de versos com palavras que são pele, membros, cheiro e desejo - como a boca que as cospe e as traga. perfeita esta união de sílabas, como o beijo derradeiro, onde os lábios-fineza ou brutalidade são apenas duas faces de um mesmo rosto.

arrepio, como sempre, ira maior!

Assis Freitas disse...

nhac nhac

adorei a onomatopeia


beijo

dade amorim disse...

Andei fora do Rio e sem computer. Por isso tenho faltado aos poemas dos amigos.

Beijo, adorei!