segunda-feira, 15 de julho de 2013

Canção para Afinação de Silêncios






Não sofras!
Na morte deve haver alguma cura
Talvez a música
Aquela canção que o homem,
Nu das notas do tempo,
Jamais compôs

Deixe que, enquanto morres,
Os violinos se abandonem
E que fujam as fotografias
Que existiram, nas breves horas dançantes,
Ao som afinado das cordas

Ouça esse silêncio e alcance a música

Não sofras!
Que depois da morte
Há o canto dos vivos

7 comentários:

Cecília Romeu disse...

Ira, minha lindona!
Confesso que tenho uma coisa com essa palavra: "silêncio".
Leio ou ouço e já me arrepio como se fosse ter que subir num avião:)

Não existe palavra mais cruel do que aquela que não se diz.

Pois então que os silêncios permitam passagens; e não interpretações errôneas.

Que o fim seja daquilo que não deva mais manter-se, pois ponto final a não merecer reticências.

De resto, muita música.
Se tudo já é tão difícil, que pelo menos tenha o ritmo certo :)

Grande beijo!

Marco Rocca disse...

Paro para refletir: O que há depois da morte, se nem mesmo sei o que é a vida... Lindo poema, amiga!

Marco Rocca disse...

Paro para refletir: O que é a morte, se nem mesmo sei o que seja a vida... Lindo poema amiga!

Assis Freitas disse...

no peito do desafinado também mora o silêncio



beijo

Tania regina Contreiras disse...


Ira, amante, fã que sou da sua escrita, custa-me dizer com segurança, mas vai lá: um dos melhores poemas teus. Arrepiei-me. Surpreendi-me com o resultado do desafio, porque o poema vai tão mais além: bravo!

Beijos,

dade amorim disse...

O Canto dos vivos, será?
Que poema, Ira, que poema!

Beijo beijo.

eurico portugal disse...

"um dia destes tenho o dia inteiro para morrer" - herberto helder

beijo grande, ira!