domingo, 30 de junho de 2013

Morte nas Pontas dos Dedos







Dos meus poemas,
Todos inúteis,
Nenhum ousará durar mais que uma vida
Esqueça-os, então, quando no ponto final,
Pois a morte jamais perde a memória
- há um cemitério de poemas em cada olhar -
Das minhas mãos,
Tão sem modos,
Retire as unhas ferozes,
Se te apraz,
Mas deixe-me os ridículos dedos
Que, mendigando assombros,
Quedam nos momentos extravagantes
- a brancura do abismo –
Respeite-os quando suspirarem:
Somos Deus!
É que Deus, estando longe de ser
Razoável, caminha tonto,
Esmolando um prato de humanidade,
Por linhas certas
Que os poetas entortam 

9 comentários:

Assis Freitas disse...

de torar



beijo

Cissa Romeu disse...

Ira, linda aquariana de minhas saudades!

Oh! Cazuza... tanta e tanta falta de sentir gente cazuzando..., coisa que sinto aqui, Ira.
Porque todas as vezes em que você 'entorta' linhas, é muito divino!

Menina... ando tão cheia de trabalho, e hoje, ainda com minha filhota, porque anunciaram uma tal greve geral e a escola dela fechou, mas existem coisas que se fazem urgentes, e uma delas é te ler!
Sinceramente.

Beijos, minha lindona!

dade amorim disse...

Bom demais, Ira!
Andava com saudade de vir aqui, mas o tempo voa, como vc sabe, e me tira as chances.

Obrigadíssima e um grande beijo.

Joelma B. disse...

há versos com formato de anzol...

beijo, Ira brilhante!

Adri Aleixo disse...

Um assombro!!! Concordo com a Joelma.

Beijo, querida! Saudades...

Eleonora Marino Duarte disse...

por favor, me deixa ecoar uma frase assim para sempre: «há um cemitério de poemas em cada olhar».

que poemaço, Ira!!

levei a frase para mim e o meu cemitério junto...


um beijo, querida mais que querida.

Primeira Pessoa disse...

saiba:
nenhum poema é inutil.
enquanto isto, a gente vai esmolando uns farelinhos de divindade por aí... andamos cachorros-magros pelas ruas, mas só o diabo parece prestar atenção...

beijão,
r.

eurico portugal disse...

verso inútil é o ainda por acontecer. depois, há a poesia maior, aquela que esgota o tempo na combustão da palavra dando sentido às eternidades do sentir - a tua!

beijos, minha poetamiga de tantas presenças!

Marco Rocca disse...

Putz!!! Mais que um poema, um ASSOMBRO!!! Aplausos de pé, poetisa!
Sabe, sinto-me viver, nascer e por certo um dia morrer com meus poemas, meus fragmentos humanos... Fraterno Abraço, MR.