sexta-feira, 26 de abril de 2013

Olhos de Morcego





Quem trouxe essas mãos
Que me custaram os olhos
Da cara,
Não demora,
Vai confundir-se em mim
Vai perder seu retrato
Entre meus cabelos falsos
E, desassossegado,
Cairá de joelhos
Com dó de si
Quem mandou
Arrancar-me os pensamentos?
Canteiros que queriam
Ver-te
Água fresca
Seguir-te
Como girassol ao sol
De fogo
Quem trouxe essas mãos,
Precipitando domínio,
Mal sabe de mim
Que sou morcego
E vôo melhor
Na escuridão

5 comentários:

Assis Freitas disse...

olhos alados

tão cego para voar
dá-me emprestado
tuas mãos



beijooos

Tania regina Contreiras disse...


Voo na escuridão é pra poucos. Não te li lá, mas te encontrei aqui, sempre Ira!

Beijos,

Marco Rocca disse...

Cada animal tem o seu mistério, tal qual o homem, que voa pelas paragens de seus sonhos... Lindo poema Ira, parabéns!

Marcia Morais disse...

Amiga querida,aquilo que muda o nosso cotidiano nos assusta sempre,beijos !

eurico portugal disse...

voos noturnos para aves que veem além dos olhos - bandos brandos a ensanguentar rotas e astrolábios.

beijo, querida amiga!