quarta-feira, 10 de abril de 2013

Face de Contorno Azulado





Deito a orelha na concha açoitada
Há mar de mil anos no interior do mistério
E pranto, canto, monstros
Chama-me, voz mansa,
Quase vulto.  Amor... Amor...
- Eis a ciranda que não revelei ao mundo,
Só a ti, desde que perdestes o primeiro anel de ouro.
Lembras?
Súbito cai essa palma de bruma irônica
Sobre os cabelos tingidos de dilemas.
A mão pesa ferro.
O prédio da memória desmorona
E, em ruínas, as lembranças se desnudam
Algumas fogem para terras virtuosas
De um país que ninguém nunca viu.
O restante multiplica-se como a humanidade
Que teme sua própria extinção.
Intimidades marítimas me tomam olhares,
Onda após onda,
Cordas afogadas, oferendas evocatórias,
Peixes defuntos, pescadores encantados
E esses destinos de vencer solidão
Meus olhos seguem pensando nesse corpo robusto,
Qual cavalo azul correndo em fúria,
Indo e voltando no exercício de suas alternativas
Os braços revoltos espumam iras que,
Ressentidas com ausências longas,
Cospem desprezos por desimportâncias 
Quanto desse desassossego me pertence?
Mas o que ouço é a fala memorável de meu dono
Água que domou meus fremes flancos
Com audácias e seduções ébrias
Lembro estrelinhas caídas do céu que, sobre epiderme líquida,
Pousavam em olhos submersos 
Ah! As peles inconstantes sempre recomeçando!
Estou aqui, maresia e, um tanto na eternidade,
Chamada pela paixão. O mar!
Inevitável é o caminho que tem essa face azulada

13 comentários:

Assis Freitas disse...

espumam iras: eras
ao mar que impele
vagas imemoriais



beijo

Tania regina Contreiras disse...


Que face azul da poeta mais linda! Encanto e assombro ir descobrindo cada pedaço desse beco.

Beijos

Tatiana disse...

Cabelos tingidos de dilemas... É sensacional!
Beijo, querida

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

"Cordas afogadas, oferendas evocatórias,
Peixes defuntos, pescadores encantados
E esses destinos de vencer solidão
Meus olhos seguem pensando nesse corpo robusto,
Qual cavalo azul correndo em fúria,
Indo e voltando no exercício de suas alternativas
Os braços revoltos espumam iras que,
Ressentidas com ausências longas,
Cospem desprezos por desimportâncias
Quanto desse desassossego me pertence?" Poema que nos traz uma cascata de imagens fortes e sentimos presos a cada verso dito

Lisa Alves disse...

tua poesia é existencial, coage o Eu interior com signos naturais. Amei!

Janice Adja disse...

Amei!!!
Palmas!

dade amorim disse...

É sim, uma poesia existencial e realista, querida poeta. E a criativiade é sem fim.

Beijo beijo.

eurico portugal disse...

a voz a enfeitiçar a água e o sangue que nos percorrem o flanco, atiçando viagens sem dono nem dó, viagens sobre braços reluzentes, viagens nas coxas onde a aranha tece a teia. e os olhos a luzir, diamantes azuis, porque o poema se faz de gente... no feminino-sangue-ventre. inevitável é o caminho.

um beijo, iríssima!

Fred Caju disse...

Muito legal, mas confesso que o título me deu medo, face azulado me fez pensar no canalha do Mark Zuckerberg.

Marcia Morais disse...

Como profundezas são os teus sentimentos.
Como ondas todas as tuas loucuras,
e como azul ficou teu coração,mas,como o mas jamais serás esquecida és eterna em coração.
Beijos linda!

jose reginaldo disse...

BEIJO AZUL DA COR DO MAR,DO CÉU OU DOS MEUS OLHOS CANSADOS,PRA VOCÊ E SUA ALMA LÚDICA.

Wilson Caritta disse...

E esses destinos de vencer solidão, e a poesia que não nos deixa, sem braços e abraços!

Quanto de Pessoa te pertence, em desassossegos e longas ausências!...

Muito bom te ler!

Beijos, Ira!!!

Cris de Souza disse...

Te mete!!! Isso que é lira oceânica...

Outro beijo, poeta irada*