sexta-feira, 15 de março de 2013

A Triste História de Uma Infeliz Idéia






Suplico-te, deus, todos os gritos mais altos que o Redentor,
Porém, não me leve a sério e entupa os ouvidos com nuvens
Tentei abraços humanos e me abarcaram com cinismos vestidos de lã
Depois, por todos os lados, os passos pisavam em sujeiras,
Lamas sórdidas vindas de origens remotas.
Por último, havia esbarrado com a noite dos zil gemidos aflitos
E, de cara limpa, foi o que levantou minha ira sem jamais cair
Odiei homens e deuses – farinha do mesmo pote de barro –
E odiei suas maldades, seus pratos de carne humana,
Suas bizarras noites de fodas que são lavadas ao amanhecer.
Odiei as inúmeras ordens que exterminaram anjos – e ainda exterminam! –
Odiei abusos, e violências sem fim, que envergonharam mulheres
- e ainda envergonham! –
Odiei a morte equivocando os homens com seu silêncio,
Enquanto metia-lhes o dedo no cú
Porra, os homens não são bons!
Os homens não são nada além de cadáveres que,
Acordando com os dentes cheios de cicuta,
Devoram sonhos de caramelo no café da manhã, apressadamente
Suplico-te, deus, que me poupes à língua do espeto
E continues a ocupar teus olhos com venda negra
Ou fujas desse quintal tomado por pragas,
Porque hoje é dia de botar a boca no papel
E vomitar até sangrar um pouco mais
Rogo-te, então, que não olhes e que não ouças as lágrimas que chovem
Desse meu coração raivoso
Os homens não precisam de ti!
Os homens não precisam deles!
Os homens não existem!
Há, somente, uma vaga idéia do que seriam
Oh, infeliz idéia!

10 comentários:

Dilmar Gomes disse...

Querida amiga Ira, em determinados momentos, desesperamos diante de tanta falta de sensatêz no mundo!
Um abração. Tenhas um ótimo fim de semana.

Domingos Barroso disse...

afago-te os cabelos...

eurico portugal disse...

aproximo os pulmões da boca e procuro respirar - as palavras consomem-me o oxigénio. sei que não chega para redefinir o homem e o seu único deus: ele mesmo; talvez não chegue para redefinir a terra que mexe e revolve - o homem e o seu deus ainda vivem? sobeja o bastante, talvez, para a definição de uma ideia. para quê desejar mais?

beijos, poeta de longo longo longo alcance!

Marcia Morais disse...

As vezes homens nos levam a crer que Deus não existe...ele nada ver,desesperadora atitude,frustração que nos mata por dentro,e pensar que tais ideias ainda perduram ,ainda se manifestam de varias formas com varias mascaras nos corações de alguns. Bjos linda

Carolina disse...

Ola, como estas, Escritora!
Tu ruego, tu rezo tambem convida me a pensar.... porque coisas ruins acontecem a pessoas boas? misterio.
Os homens nao sao bons, para nada. Brutalidade, fome, frio, violacoes, campos de concentracao... dor sem fim.
Mas tambem, a forca intransigente da capacidade humana de transcender dificuldades, encontrar uma vaga esperanca em tecer fios de vidas rotas... misterio. . mas porque essas acoes feios existen e que eu tambem vejo um milagre. Em algum punto, nos somos um milagre inexplicavel.

(Deixo vos agora, sempre desejando que entenda o meu tambem inexplicavel, misterioso portugues) :D
Chau, linda garota. um beijo.

Janice Adja disse...

A humanidade é tão vil, que assina a ausência de Deus.
Beijos!!

Marco Rocca disse...

Uma crítica poética muito bem feita e estruturada. Mas, o que seria da humanidade senão fosse exatamente assim, um poço infinito de conflitos, idéias, supremacias, filosofias distantes... Escrevi uma prosa poética numa outra linguagem, "existência" que tenta refletir exatamente isto: " a distância entre o homem e suas aspirações, e Deus..."
Brilhante texto amiga... APLAUSOS DE PÉ!

Jota Effe Esse disse...

Canta, que a raiva passa! Se não passar, pergunta: que queres de mim?
Qualquer que seja a resposta, não ouças, segue a vida! Meu abraço.

AC disse...

Os homens...
Um retrato implacável, pleno de talento.

Beijo :)

Lily disse...


Muito bom!


Suzana Guimarães