quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Portas Pra Crimes Perfeitos






Uma batida na porta, apenas, e os demônios infiltram
Seus chiados criminosos na carne injusta
Pois, se já não me cabe o delito,
Porque a tentação?
O diabo me deixa falando sozinha!
Dobro as mãos que te querem e,
Deixando-as fora do alcance de tua face,
Abro a porta com lábios culpados
Um convite quase velado de beijo 
Finge-se de boa pessoa, no entanto,
A boca deixa escapar filetes de babas 
E meus olhos sopram ventos safados
Nas esquinas do seu país
Entra o homem com seus mitos e,
Belo na prosa que tempera com pistas,
Apaga minha escuridão com sua estrela.
Frente a frente nossa crueldade é discreta
E segue derramando, minimamente, confissões
Disparamos a primeira palavra muda,
Antes das que não prestam,
Enquanto o tempo sai à francesa
Bem se sabe que um dia esse equilíbrio cai
Caem farsas e roupas
E nos leva ao ridículo da verdade
Uma batida na porta, apenas,
O que pode haver de mal nisso?

7 comentários:

dade amorim disse...

"O que pode haver de mal nisso?"
Ah, o que podehaver de mal em tantas coisas de aspecto inocente?

Beijo, Ira.

Assis Freitas disse...

à porta
aporta



beijo

eurico portugal disse...

e a porta, em silêncio, a fazer-se escada de des[a]tino [in]definido.

beijo, queirda ira!

Carolina disse...

Apenas uma batida na porta... e tudo comienza.. os demonios podem passar...
Perfeto querida amiga, e desejo-le um bom final da semana.

Janice Adja disse...

O homem e seus mitos, o homem e seus medos.
beijos!!

Marco Rocca disse...

Não há mal algum nisto, amiga! Linda prosa poética... Creio que o poeta tem a liberdade de oscilar entre bem e mal, verdade e mentira, Deus e o diabo... Parabéns!

Fred Caju disse...

De mal eu não sei, sei apenas que tão humano.