domingo, 9 de dezembro de 2012

O Homem de Trança





Quero um homem de cabelos longos!
Esperando feliz e possível, no banco da praça,
As contradições que equilibro na cabeça
Sem medo algum do silêncio de uma mulher,
De suas pedras agasalhadas nas mãos
Ele esta lá e, rabiscando o tempo no jardim,
Arrisca um jazz, depois sorri simples
Aos transeuntes que nunca vão me ver
Eu chego demorada, deliberadamente,
Com sangue extra, alguns tropeços
E poemas infectos, mas nada o assusta,
Nem mesmo as assombrações que carrego nos cílios
Ele pousa os dedos no meu pescoço, seu mapa,
Como um marujo ávido de descobrimentos
Desliza sobre a rota incerta
Há beijos debruçados sobre nossos pensamentos
Que caem direto aos lábios
Caem as estrelas de todo céu da boca,
Enquanto um realejo galopa devagar até bem dentro de nós
Espiamos nossos mistérios sem perguntas,
O primeiro pássaro, o primeiro olhar
Faço uma longa trança dos seus cabelos
E subo até o último andar
Onde há um homem esperando minha vida

10 comentários:

Janice Adja disse...

Eu também quero!!! rsrsrsrs
Amei.
Palmas!!!!

Assis Freitas disse...

que te venha este homem,


beijo

dade amorim disse...

"Há beijos debruçados sobre nossos pensamentos"

Sempre um texto original e muito bom de se ler!
E os carecas da foto são um toque de humor, para contrastar com o homem de cabelos longos.
Adorei, Ira!

Beijo grande.

Tania regina Contreiras disse...

Ai, que nosssa! Também quero, também quero...um homem assim e aprender essa escrita sua que sussura e grita, dependendo da hora...Você é inteira!
Beijos,

Domingos Barroso disse...

esse poema é o vento
é a sombra é a inquietude
de uma árvore frondosa na praça
onde ele, o homem de tranças, risca
o canteiro com seus dedos longos e tristes
...


meu deus, que poema exuberante!

beijo carinhoso,
doçura.

Ira Buscacio disse...

Procurar esse homem no meio dos carecas (com todo respeito aos carecas adoráveis, mas é uma questão de metáfora rsrs)é tarefa difícil. Dói cabeça, olhos, então, nada melhor que o humor. Santo remédio!
Bj grande

Cecília Romeu disse...

Ira, linda aquariana!
Primeiro, quero te dizer que adorei teu comentário por lá. Acho que é impossível alguém não gostar de ti, sabia? Só se for "ruim da cabeça ou doente do pé" *-*

Certa vez fiz uma crônica sobre 'alma cabeluda' que alma tem cabelo, a alma que se permite voar as madeixas ao vento, soltá-las, fazer penteado ou não, inevitavelmente, me lembrei dela, e acho que teu homem de trança tem a alma cabeluda :)
Linda metáfora a tua!

Beijos e beijos!

Ira Buscacio disse...

Ciça (prefiro com ç)lindona, um dia, ainda vou ser igual a vc, essa beleza de moça, assim de bela, assim de jovem, assim de inteligente, assim de simpática

Tem mais, vc acertou na mosca! A idéia é essa, o cabelo longo como referência de sensibilidade, de açucar, de leveza, coisas que a maioria dos homens tem dificuldade em tirar de suas cartolas.
bj grande

Anna Amorim disse...

Ira,

Este é um retrato desta mulher cá dentro fazendo transas de desejos e palavras que não cabem em mim.

Beijos,

Tatiana disse...

Deve ter algum sentido mais produndo nesses misteriosos paradoxos: ...o careca de cabelos longos, o galope devagar, as pedras agasalhadas nas mãos (nossa,esta é uma imagem fortíssima!).

Seriam as tais "contradições que equilibras na cabeça"?
(e eu aqui tocando de analista..hahaha)

Seja o que for, é muito rico e bonito, Ira!
Beijo pra ti!