sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Bicho Papão





Moro nas entranhas de um bicho,
Não sei bem sua espécie,
Mas dentro tem sangue, gazes, merdas,
Coisas que nunca vemos quando se está fora das entranhas de um bicho
Seu estômago geme ruídos de carestia, ininterruptamente,
Como canção enguiçada no play
Há carregamentos de ossos anônimos, todos os dias
O alimento vem de outro bicho maior: Somália, fera inexorável!
E vem perfurando a carne. Gastando tripas sem saciar fome.
Da garganta escorrem imensas bizarrices:
Palavras armadas de porretes, alianças oxidadas,
Santinhos com promessas, caixas de material bélico,
Punhados de águas-vivas vivas, silêncios sem amor
Algumas entalam na goela, mas acabam descendo
E ganhando a corrente sanguínea, as vértebras, o apêndice
O bicho estrebucha até o rabo, mas sua genética é forte
Penso em como fui parar neste lugar,
Talvez estivesse distraída em local de risco
Mas será que existe risco do lado de fora?
Descubro que a porta de saída está lacrada,
Pois vivemos novos tempos,
Os fashionistas costuram os cus sintéticos dos bichos,
Mas com fios reciclados
O jeito é me entreter com tristezas, mas estas comprimem o crânio da fera
E ela chora, e chora as lágrimas minhas
Um pulmão pra lá, o coração pra cá, eu vou me ajeitando
Quem sabe um dia essa porra exploda
Mas por enquanto, não sei se me acostumo

5 comentários:

Janice Adja disse...

Tenho caminhado por seu blog e cada vez mais encantada.
Parabéns
Beijos!!!!

Tania regina Contreiras disse...

É como já disse: eu preciso te ler. Dentro do bicho às vezes perco a voz. Então vem a tua...
Beijos,

Assis Freitas disse...

não se acostumar já é um modo de convivência,



beijo

Marcelo R. Rezende disse...

Não se acostume, não, por favor, não se acostume!

Cecília Romeu disse...

Bicho danado esse... e ainda somos um pouquinho dele, verdade?
Beijos, lindona!