domingo, 25 de novembro de 2012

Rota de Estreitismos





Os passos não são possíveis, como não é possível ficar
E há essa bobagem de pensar
Ah, dor de merda!
Deram-me o beco, onde meu nome amarela, já quase sem rosto
E o peso da solidão é ignorante como um punho que soca o ouvido
Deram-me, então, e não existe outro lugar,
Esse minúsculo quadrado que aceito por lucidez, não por transtorno
Jamais o destinei a qualquer gente, que amo ou desprezo,
Pelo simples fato de que tudo está coberto de musgo
E não existe outro lugar
A urina desce do meu sexo perna abaixo
E minha infinitude é uma descarada mentira
Que merece ácido nas ventas depois de morta
O tempo, deus dos homens, determina:
- Não há mais nada em que se possa confiar!
A imagem e o vazio andam sob o mesmo teto
E nossa existência é outra coisa
Ou coisa nenhuma,
Uma promessa para agüentar o insuportável
Minha boca, de tantos beijos e obscenidades,
De tantas palavras e sangue a correr nos lábios,
Hoje come poeira das estações cruéis
E não há mais febre, nem fumaça, nem fome,
O nada é tudo que sobrou da língua
- Esse silêncio é toda verdade da vida!
Diz-me o amor com a corda no pescoço
Lá fora, a cidade tem gosto dos enfermos
Que circulam com sacolas repletas de tormentos
Eles fazem barulhos metálicos para acordar seus mortos,
Mas acontece que os mortos estão cansados de serem vivos,
Mas acontece que os vivos estão cansados de serem mortos
- Deixem os mortos em paz!
Berro com um poema de Sexton entre os dentes
E é domingo, dia de esquecer pensamentos,
Ouvidos e carnes trêmulas
Dia de enrolar os pulsos com macarrão
E crer que o cão do quintal vai cheirar seu cu,
Sem desprezá-lo, quando chegar o inverno
Já é noite na parede estreita,
Onde se lê tudo que não está escrito,
Exato como fio de faca,
Porém, meus olhos estão caídos numa substância amarga

6 comentários:

Assis Freitas disse...

estes teus poemas me descaminham, isso é ótimo



beijo

Domingos Barroso disse...

pois eu quero um abraço desse teu cansaço
...

esplêndido!

beijo carinhoso, poeta.

dade amorim disse...

Poemas com a marca IB sempre encantam quem os lê.
Beijo beijo, Ira!

Janice Adja disse...

Soçobrar!!
Palmas!!!

Tania regina Contreiras disse...

Te leio sempre levando um sacolejo, no mínimo. E reconheço tantas dessas paisagens tuas. Impossível te ler sem soltar um ahhhhhh...depois.

Beijos,

eurico portugal disse...

é impossível não ser outro ao ritmo da leitura dos teus poemas.

beijo!