segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O Nome da Alma





Esse cansaço
Não é do homem mau ou bom
Que as mesmas caras possuem suas sombras
Não é do tempo que me mata em cada fevereiro, há muito,
Porém, dá-me vícios audaciosos para que haja risos
Não é do corpo, esse navio perseguido pelo mar,
Pois, mal sabe a pele que os oceanos desconhecem os cascos
Não é da caridade vaidosa, aquela que se alimenta do meu inferno,
Porque fome de céu jamais me corrigiu a ser outra que não erro
Não é da palavra, cadáver que vira gente, bicho, coisa,
Que me tortura, muito embora amavelmente, os dedos da mão masoquista
Não é do poema, feliz ou infeliz, que pesa sobre minhas pálpebras,
Que nada sei ser além de poeta ou de ter olhos
Não é do beco, habitante da cabeça, onde sou cruz, cravo e Pilatos,
Que de pecados meus bolsos estão cheios
Esse cansaço é um cansaço rabugento
Dessa alma caduca que não me pertence,
Que não se sabe despertencida,
Mas insiste em dizer que sou eu
Ou Deus?

7 comentários:

Joelma B. disse...

fico pensando se líquor não seria o outro nome da alma!!

beijo, beijo... Ira brilhante!

Marcia Melo Morais disse...

Um estranho cansaço,fadonho,mas,que mesmo assim desabrocha em versos,toca profundamente o coração,deixando um toque de esperança.Te adoro viu? Beijos!

Assis Freitas disse...

este cansaço é atávico, de tão ávido existir


beijo

Tania regina Contreiras disse...

Porque fome de céu jamais me corrigiu a ser outra que não erro...

Menina, você é foda, sabia? Queria ter essa pele exposta, os versos escritos em sangue.
Beijos,

Américo do Sul disse...

Vida. Estranha vida dos q ousam desmistificar o caos... Bravo!

Américo do Sul disse...

Vida. Estranha delicia da vida, dos q bucam desmistificar o caos... Bravo! Bebo do beco e me embriago...

Luis Eustáquio Soares disse...

salve, poeta, que esse é o cansaço de novos atos nascentes; de inventar inesperados caminhos, imprevistos, livres.
a
l