sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Esfumaçada





Não! Na cama, não!
Sobre o colchão as mentiras enredam cachos
Junto à grinalda em retalhos
E lá, não te quero sem máscara de oxigênio,
Antibiótico e toda essa parafernália de moribundo
Ouça-me, por obséquio, que as questões são becos fétidos,
Meu intento é oferecer audácia a nossa visita
E perdoar os assuntos
Sigamos no tempo a dar costas às vidraças
Deito-te no chão do quarto sem virtude,
Sob a mulher sem remendo que esta noite esculpiu para o tato,
Com tamanho desvelo, apenas visto antes em um ridículo
No verniz do piso há prato com cinzas do cigarro que fumo,
Um copo cheio de coisas que penso, além do rum,
Algumas páginas soltas do livro de Plath
E em absoluto,
Uma tentativa imponderável de amor

Esfumaçada!

9 comentários:

Domingos Barroso disse...

essas tentativas amorosas são as mais belas
...


beijo carinhoso.

Sandra Subtil disse...

Poderosa!
beijo

Tania regina Contreiras disse...

Na cama não... E todo o resto será esperança de SER.
Beijos,

Tatiana disse...

Um arraso de poema!
O amor é sempre imponderável. E a gente o desafia, sempre. Como tem que ser.

dade amorim disse...

Novo blog, novo poema e, como disse a Tania, a esperança de ser...

Beijo e obrigada, Ira.

Marcelo R. Rezende disse...

que tamanheza que é esse poema!

(tamanheza não deve existir, mas é o sentimento em palavra!)

beijo, Ira!

Carolina disse...

Ola Isa, genia. O estilo nao muda, a autora escreve simplesmente otimo... é um grande prazer para os nossos sentidos visitar a sua casa e desfrutar da suas letras intensas.
Um abraco.

Paulo Sotter disse...

Não existe condição perfeita para o amor, ele "é" em qualquer situação.

Assis Freitas disse...

o amor e suas tentativas infames de nos fazer acreditar,

beijjo