quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Café da Tarde com Laura Alberto




Havia dias traiçoeiros afogados no bule do café
E o coador suportava quentes resíduos de mágoas

Meus dentes apodrecidos,
Os que ficavam mergulhados em água sanitária,
Pretos de angústias, já não exibiam risos, nem mesmo os medíocres 

A boca esquecia os lábios covardes no café amargo
No fundo da xícara, borra, saudade e a tarde

Era primavera, mas o frio cobria de gelo as violetas,
Algumas vozes estiradas no chão de asfalto e súplica
E, sobretudo, as mãos que foram esquecidas na varanda.

Na primeira árvore que plantamos, antes mesmo do jardim,
O tronco não mais respirava nossa juventude

Os nomes que foram cortados em lâmina, antes mesmo do jardim
Não conservaram memória e caíram secos,
Como secos morreram os frutos que não nasceram

Na cozinha, o aroma do café confundia o tempo,
Todos os ponteiros ensurdeceram os diálogos

O relógio transpirava suas horas.
Horas lentas! Horas longe! Horas mortas!

Uma armadilha mantinha a porta do forno aberta,
O gás teria esquecido minha cabeça em sono profundo?

5 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

Saudades no fundo da xícara...Um café da tarde com gosto forte, prefiro assim...

Beijos,

Assis Freitas disse...

que reunião esta, tu e a Laura. tremo de pensar e anseio apenas o chá,



beijo

Luiza Maciel Nogueira disse...

um encontro de aroma e verso

beijo

eurico portugal disse...

e no fundo da xícara, por entre os resíduos do café, tanto se revela e ainda mais se esconde. quanto de nós espreita à esquina da explosão, num qualquer destes fins de tarde?...

beijos, ira e laura!

LauraAlberto disse...

ó Ira...
ó Ira...

deixaste a minha alma mareada, meu espírito tranquilo dormitando na força das tuas palavras, sempre tão minhas...

obrigada, obrigada
Beijo